|
 |
Paulo Roberto Pires Jornalista |
 |
|
 |
"Deformação profissional e obsessão amadora me fazem associar caricatura a música e literatura. Tão bom quanto ouvir ou ler um artista é vê-lo retratado em traços que traduzam graficamente o essencial do que toca, compõe ou escreve. Este prazer, para mim, é a marca da galeria de magníficos desenhos que tenho o prazer de ver nascer na dobradinha que Babel, a editoria de cultura do no.com, vem fazendo com Leo Martins.
Mesmo numa redação virtual, a correria é real e é nessa batida, com o deadline para ontem, que Leo consegue grandes momentos. Seus desenhos não ilustram um texto: conversam com ele e o leitor, em geral desfazendo os clichês que o automatismo do jornalismo nos impõe. Assim, Jean-Paul Sartre, figura das mais caricaturadas e caricaturáveis, ganha cor e humor insuspeitados e Castro Alves, uma altivez sem bolor.
John Coltrane é retratado por Aldir Blanc com "as mãos erguendo o saxofone como se apontassem a faca de obsidiana contra o próprio peito". Abstrato? Olha o Trane do Leo que tudo fica mais claro. E, só para mostrar que aquele papo de não serem meras ilustrações não é papo, informo ao prezado leitor que texto e imagem foram preparados simultaneamente. Nada que o Caboclo Carlos Gustavo, filho do Pai Jung, não possa explicar. E já que o assunto é sincronicidade, o mesmo aconteceu com Miles Davis, nódoa desconcertante que não se parece com o homem, mas é sua música de silêncios e abstrações.
Num raro momento de antecedência e prazos humanos, joguei no colo do Leo um Gustave Flaubert. Quando passei por sua mesa, vi dezenas de esboços e uma total insatisfação. Não era nada daquilo. Como o escritor que buscava obsessivamente a "palavra justa", exata, Leo queria o "traço justo". E, depois de suar a camisa, conseguiu. "Flaubert é o olho", ele me disse. E não há como negar.
"
|
 |
|
 
|
Leo Martins é caricaturista autodidata. Iniciou sua carreira profissional em 1995, após quase terminar o curso de arquitetura. Desde então, foi publicado em diversos jornais e revistas brasileiros e premiado em várias edições do Salão Carioca de Humor. Seus desenhos já estamparam páginas e capas de jornais como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Dia e Gazeta Mercantil Latino-Americana - este último distribuído em vários países da América Latina - e também de revistas como Veja Rio, Veredas e Cult entre outras, além de longas colaborações com a revista da Confederação Nacional da Indústria e, especialmente, com o website Notícia e Opinião, onde conheceu alguns dos melhores jornalistas que atualmente produzem outra publicação on-line: No Mínimo, estampando sua arte diariamente na primeira página.
Flávio Pinheiro Jornalista
"A caricatura é filha do expressionismo. Pressupõe argúcia que explora extravagâncias gestuais, desvenda impressões que a índole e a alma deixam na face. No portfolio de Leo Martins há ótimos exemplos desta perícia." leia mais
|
 |
|