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Flávio Pinheiro Jornalista |
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"Caricatura é exagero, deformação. Digo isso como consolo para a minha caricatura feita por Leo Martins. Em poucos traços está ali um sapo gordo, visto de perfil. Bochechas despencadas engolfam um nariz de razoável protuberância a ponto dele parecer insignificante. Mesmo os cabelos que ainda não escasseiam disfarçam o que parece uma papada que inopinadamente subiu para o rosto. Os olhos, que já foram descritos como de garoupa de geladeira, são meros detalhes. Como os óculos de leitura, presos entre os dedos.
Não me reconheço no desenho. Mais certo seria dizer: não quero me reconhecer. Faltam-me as alegorias dos rostos feitos para a caricatura aqueles exuberantes sinais particulares, entre eles a imensa feiúra, o nariz clown, uma mecha nos cabelos ou a falta deles, olheiras fundas, sobrancelhas espessas ou descabeladas, dentes cavalares, barbas, sardas e próteses marcantes (óculos de aros grossos, charuto, cachimbo). Ou pelo menos eu acho que tudo isso me falta. Pois Leo descobriu minhas particularidades acabrunhantes, as que prefiro não ver quando me olho no espelho, as que eu abjuro como sinais definidores, as que vieram com o tempo e sobrepujaram as da juventude.
Triste? Não. Na maior parte das vezes é divertido, sobretudo quando não é com a gente.
A caricatura é filha do expressionismo. Pressupõe argúcia que explora extravagâncias gestuais, desvenda impressões que a índole e a alma deixam na face. No portfolio de Leo Martins há ótimos exemplos desta perícia: Carlos Drummond de Andrade com os olhinhos miúdos fora do rosto, Chet Baker contorcido por angústia dilacerante, Camille Paglia vincada pela mecha branca dos cabelos. Tudo isso é fruto de uma arte que, no caso de Leo, corre de algum recanto do inconsciente para a ponta da pena. Não peça a ele para explicá-la. Não apenas porque ele ainda não deixou de ser um garoto quando fala mas porque sua real expressão é o traço.
Cultivou seus dons com Cássio Loredano, mestre na arte, que é o cinqüentão mais garoto que conheço. Li com alegria em entrevista dada a Mario Sergio Conti que Rodrigo Naves eleva Loredano à condição de grande artista, soberbo na arte de caricaturar. Faltam décadas de vida e de experiência pictórica para Leo chegar ao estágio Loredano de arte. Mas se ele se deixar amadurecer tem tudo para chegar lá."
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Leo Martins é caricaturista autodidata. Iniciou sua carreira profissional em 1995, após quase terminar o curso de arquitetura. Desde então, foi publicado em diversos jornais e revistas brasileiros e premiado em várias edições do Salão Carioca de Humor. Seus desenhos já estamparam páginas e capas de jornais como Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, O Dia e Gazeta Mercantil Latino-Americana - este último distribuído em vários países da América Latina - e também de revistas como Veja Rio, Veredas e Cult entre outras, além de longas colaborações com a revista da Confederação Nacional da Indústria e, especialmente, com o website Notícia e Opinião, onde conheceu alguns dos melhores jornalistas que atualmente produzem outra publicação on-line: No Mínimo, estampando sua arte diariamente na primeira página.
Paulo Roberto Pires Jornalista
"Seus desenhos não ilustram um texto: conversam com ele e o leitor, em geral desfazendo os clichês que o automatismo do jornalismo nos impõe." leia mais
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